Meta-jogos: a inserção do RPG no Second Life

por Fabiano Taurus*

O RPG, batizado de Role-Playing Game (jogo de interpretação de personagens), nasceu na década de 70, como uma evolução dos jogos de estratégias e combate que usavam miniaturas, e se tornou afamado com os livros da empresa americana TSR, chamados de Dungeons & Dragons. Sua característica mais marcante é a interpretação de personagens, tornando “ilimitada” a possibilidade de criação dentro do jogo. Com o crescimento de mitos acerca do jogo e seus jogadores, bem como com o avanço do acesso digital à informação, diminuiu-se a visibilidade do jogo aos leigos e às editoras.

Então, como se explicaria o ressurgimento e a explosão do RPG no Second Life? A explicação é conceitual: o RPG e o SL proporcionam aos jogadores a liberdade de decidirem os destinos de seus personagens. Além disso, no SL o jogador tem acesso a um recurso visual e a um mundo fantasioso antes limitado a um tabuleiro ou à imaginação de cada um. Em função do RPG, mesmo com a crescente queda, desde 2007, no número de acessos brasileiros no SL, o número de “usuários freqüentes” tem se mantido devido a essa opção online do RPG dentro do metaverso (podemos encontrar ilhas inteiras destinadas à prática do RPG).

Por natureza, em todo jogo existe um enredo, uma história criada que guiará os personagens envolvidos; e cada personagem tem a sua própria história e personalidade a serem criados pelos jogadores.

É aqui que o lado pedagógico do RPG se faz presente! Por exemplo, se eu quero ser um guerreiro templário, isto exige de mim, ao menos, um conhecimento básico sobre a história. Então, para a criação de um personagem rico, muita leitura e pesquisa se fazem necessários. Neste sentido, o RPG é uma caixa foucaultiana, tendo um valor muito além de um “mero passatempo”, mas servindo de instrumento estimulador para aquisição de novos conhecimentos, para o desenvolvimento perceptivo e, ademais, para a ampliação do horizonte axiológico do jogador que lida com os mais variados valores das mais variadas culturas. E este processo acaba tendo impacto direto na própria vida do jogador, que vê na arte de criação uma maneira de crescimento intelectual, cognitivo e, por que não dizer, afetivo também.

Infelizmente este é um lado que muitos jogadores não se utilizam na versão dentro do SL, talvez devido a necessidade de um longo tempo dedicado à pesquisa; ou por simples ignorância, limitando-se apenas à caracterização visual de seus personagens.

De qualquer maneira, a essência do RPG, seja na versão “de mesa” ou online, é o experimentalismo dentro do jogo, guiado pelas emoções, vivências, valores e verdades de cada personagem.

Se esse experimentalismo do RPG não dirime o preconceito cultural em cada jogador, ao menos projeta aos seus jogadores uma perspectiva difusa do outro “não-igual” existente fora ou dentro de nós.

* Fabiano Taurus tem 31 anos e é licenciado e bacharel em Filosofia, RPGista e escritor nas horas vagas.

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Esse post foi publicado em Número 1 - julho 2010. Bookmark o link permanente.

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