Um bom rapaz

por Rodrigo Siabonne*

Sempre apostei na demência.
Sempre gostei de estar errado
para quem julga saber a certeza.
Sempre fui veneno,

um carrasco delicado,
amoroso assassino.
Sou um bicho papão,
mau exemplo e elemento.

Sempre fui um problema,
aos outros e a mim,
sempre repudiei meu futuro
nunca dei orgulho para minha mãe.

Meu mal é pensar.
meu mal é nao estar à venda,
meu mal é vender a alma,
aos diabos que me aprazem.

Eu não me amo:
os outros já me amam por mim,
não insisto nas opiniões que eu mudo,
e mudo de idéia rápido demais.

Estou cagando para a elegância,
para a moda,
e para o que Papai do Céu venha a gostar.
falo mal de Deus, mas peço ajuda quando estou com medo.

Eu tenho medo de barata,
e de outras coisas imbecis.
Não tenho paladar fino, como de boca aberta,
arroto e solto pum.

Odeio parecer o bom moço,
mas não consigo evitar.
Sou um falso intelectual,
um falso poeta,

mas um humano verdadeiro.
Onde está a humanidade?
Definhando, me parece.
Preciso de um banho.

* Rodrigo Siabonne é artista por vocação e sobrevivência. Humano convicto, com toda a perfeição errada que a humanidade implica. Descobridor de mundos que morrerão comigo. Sem amor próprio, de coração morimbundo.

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Esse post foi publicado em Número 1 - julho 2010. Bookmark o link permanente.

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