Convergências: uma pesquisa sobre revistas inworld, outworld e blogs relacionados a metaversos

                                                  por Gabriela Pinelli*

Este texto propõe refletir sobre as publicações existentes relacionadas aos metaversos. Para se tornar uma proposta palpável, se fez uma pesquisa sobre as publicações a partir da escolha de um dos metaversos existentes. O resultado são os comentários e análises abaixo.

Durante o processo de criação deste texto fiz diversas pesquisas durante quase duas semanas e percorri cinco revistas inworld (dentro do ambiente virtual tridimensional do Second Life – SL): Blá, Fique por Dentro, Interativa, On The Line e SexyLife; duas revistas outworld (fora do SL, ou seja, visualizadas somente em webpage´s): BG Magazine e Innerworld; e nove blog´s: Beta, BLOG BR, BRSECONDLIFE Blog, Canção Nova, De Mattar, Geta, LindenBR Blog, Multiverso Virtual e Mundo Linden, todos com conteúdo diretamente relacionado ao Second Life. Desse modo, este texto é resultado de uma pesquisa comparativa entre as produções existentes relacionadas aos metaversos, especialmente o da Linden Lab, que possui mais usuários dentre todos.

A maioria das revistas (in e outworld) tem um conteúdo focado em: moda, fofoca, erotismo, empreendedorismo ou, simplesmente, variedades. Poucas trazem matérias sobre arte e, quando trazem, são trabalhos genéricos escritos para divulgação de galerias ou museus inworld. Apesar da individualidade de cada uma, todas têm pontos em comum: um primor quando se trata de estética, fotografia e acabamento, superando até a qualidade de muitas revistas publicadas na RL (Real Life); a maioria tem o nome em  inglês (mesmo sendo de origem brasileira) e, salvo um ou outro artigo, conteúdo limitado, interessando apenas aos usuários do SL. Sem contar os conteúdos que nem aos usuários do SL costumam interessar como: entrevista de vencedor de campeonato esportista dentro do SL; reportagem sobre a vida virtual de uma stripper; fofocas sobre casamentos virtuais desfeitos e por aí vai o desrespeito à inteligência do leitor. Obviamente, encontrei textos interessantíssimos como mitos sobre o fim do SL e a sua movimentação de dólares no mercado real; a crise financeira mundial atingindo o mundo virtual; cursos; e o exercício do empreendedorismo dentro do SL… porém, não são a maioria.

 Em compensação, os autores dos blogs, mesmo com um nível estético mais baixo, demonstram-se muito mais interessados em discutir assuntos que interessam. Trazem notícias interligando a RL com o SL; postagens sobre atualização tecnológica; poemas; divagações sobre a interatividade da vida real com a virtual; anúncios de cursos dentro do metaverso, etc.

Uma revista é composta e criada através de pauta, editor, equipe de redação, seções, anunciantes, entre outros itens. Enquanto que um blog contém as postagens (ou simplesmente “posts”) do seu dono e, às vezes, de algum convidado, todos atualizados com uma determinada freqüência.

Infelizmente, as revistas que encontrei despertam a atenção pela sua qualidade gráfica, enquanto que o conteúdo demonstra-se tão vazio quanto devem ser os avatares que assinam as edições (aqui me refiro ao avatar tridimensional e não à pessoa que o comanda). Em contrapartida, talvez por não terem fins comerciais e “nenhum nome virtual a zelar”, os blogueiros ultrapassam os limites do botão de logoff do visualizador do Second Life.

Faz-se necessário esclarecer que o nosso foco não é a crítica de nenhuma revista ou blog em específico, tampouco se comparar a algum destes. Esta análise está centrada na pobreza das publicações relacionadas ao metaverso e, por isso, a necessidade de se realizar críticas e, no caso da Revista Convergências, autocrítica. Mesmo inexistindo qualquer compatibilidade, respeitamos todos os seus criadores que despenderam de tempo e (às vezes) de criatividade na produção dos exemplares. Porém, lamentamos profundamente a falta de preocupação dos seus criadores em apresentar um conteúdo diferente, pensante e, por que não, interativo dentro do Second Life.

O nome “Convergências” não é em vão e remete-nos ao significado sociológico encontrado no dicionário Michaelis: “desenvolvimento independente de elementos culturais semelhantes em culturas diversas, oriundas de princípios, necessidades ou invenções diferentes”.

Não nos encaixamos ao rótulo de “revista inworld”, “revista outworld” ou “blog”. Queremos registrar um momento, fazer as pessoas (re)pensarem sobre seus objetivos no metaverso, estimular a crítica e a autocrítica e, sobretudo, incentivar a reflexão sobre arte.

Com o estímulo da crítica, também seremos alvo dela.

 

* Gabriela Pinelli é bacharela em Direito por formação, defensora de causas impossíveis por opção.

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Esse post foi publicado em Número 1 - julho 2010. Bookmark o link permanente.

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