Editorial

 

ÍNDICE

 ARTES E CULTURA

“Arte contemporânea I: a arte para todos” – Gper Aeon

“Second Life®: Uni-cultura, Multi-cultura, Meta-cultura?” – Gwyneth Llewelyn

“Meta-jogos: a inserção do RPG no Second Life” – Fabiano Taurus

“Convergências: uma pesquisa sobre revistas inworld, outworld e blogs relacionados a metaversos” – Gabriela Pinelli

 
ARTES VISUAIS

“Uma deriva em espaço artístico” – Gper Aeon (com a participação de Juliah Zauber, Kon Magic, Anaiara Lauria)

 
LITERATURA

“Um bom rapaz” – Rodrigo Siabonne

“Catharsis” – Gper Aeon

“Noturno” – Rediqueti Overland

  

EDITORIAL

A necessidade e a impossibilidade de uma revista de arte nos metaversos

Nunca foi o meu desejo editar uma revista. Pelo contrário, editar esta revista foi uma necessidade. Desde o primeiro contato que tive com a questão da arte, virtualidade ou, mais especificamente, arte dentro dos metaversos, percebi que o debate não tinha fôlego ou sequer existia.

Logo percebi porque tal debate não ocorria na conjuntura atual. A grande dificuldade em se realizar essa discussão, fora da presença de alguns pouquíssimos interessados, acabou por favorecer o agrupamento para a organização de uma iniciativa coletiva, uma revista foi a escolha possível dentro dessas necessidades.

Esta é uma revista que foi pensada de dentro do metaverso em três dimensões da empresa Linden Lab. Um metaverso, grosso modo, seria um ambiente de imersão em que há possibilidade de criação visual e comunicação humana. Foi nesse contexto que criamos esta revista que, além de ser “in”, é também “de fora” do metaverso. Arriscaria dizer que, na verdade, ela seria mais “outsider”, pois propõe discussões que vão além do metaverso da Linden Lab.

Como muitos devem saber, construir uma revista coletivamente é muito mais difícil do que publicar algo sozinho. Principalmente uma revista com as pretensões de: rever, registrar, revisar e referenciar o que existe de parecido com ela. Desse modo, a Convergências é uma revista de arte, cultura e tecnologia, com um aporte em metaversos, especialmente nas experiências que acontecem no Second Life da Linden Lab.

Pela dificuldade no desenvolvimento, editoração e trabalho com a revista, a publicação não se pretende periódica. Ao se entender assim, reafirma a sua consciência de rever o que aconteceu até a presente data sobre a discussão de arte nos metaversos. A partir de agora buscará registrar a discussão sobre arte nos aspectos que ela alcançar através das iniciativas individuais que aqui surgir em forma de análises e críticas. Também revisará outras análises encontradas ou em desenvolvimento, assim como se permitirá criticar e analisar ela mesma, uma vez que, nesse movimento todo, a revista não se distancia do que existe, vivendo suas dificuldades inerentes.

Dessas dificuldades é necessário fazer mais algumas observações que acabam por revelar a possibilidade e a impossibilidade de uma revista do tipo da “Convergências”.

Este número mostra a potencialidade visual e prática que uma revista – um agrupamento de indivíduos que propõem uma iniciativa de publicação – possui. Por diversos motivos esta publicação não se realiza integralmente. É importante ter em mente que esse cenário se forma em um metaverso como esforço de construção, ao mesmo tempo em que se exteriorizam as idéias através da efetivação desta publicação em um website. E provocativamente: publicamos no metaverso apenas uma capa seguida de páginas em branco e aqui estão os textos disponíveis aos leitores.

Os motivos dessa publicação “de nada” dentro do metaverso da Linden Lab se deve à dificuldade em se articular os produtores gráficos, que se vêem fazendo atividades voltadas para a simulação do comércio. Porém, o ato de publicar páginas em branco, é também uma publicação. Desse modo, acabamos por publicar no primeiro número da Revista Convergências o grande problema dos metaversos: a dificuldade em se constituir o desconhecido. No caso, o desconhecido é a discussão do que vem a ser arte relacionada aos metaversos.

É possível pensar que nos metaversos a potência humana é mais fácil de realizar, uma vez que os meios materiais são mais baratos ou de custo muito reduzido ou então nenhum custo. Lembro-lhes que estou falando do indivíduo já familiarizado com o metaverso, aquele que já possui o computador e a conexão com a internet. É nesse ambiente de possibilidades em que todos podem produzir que as frustrações parecem encontrar campo muito mais fértil para se expandir entre as pessoas.

Tal constatação é compatível com a tese do avanço dos meios de reprodução técnica e também da produção que existe desde o início do século XX. Como todos dentro de um metaverso possuem acesso aos meios de produção (ferramentas de criação de roupas, prédios, texturas, etc., restando apenas a técnica e o treino, não necessariamente nessa ordem), tenta-se produzir aquilo que todos já produzem ou o que a todos interessa, como se houvesse uma necessidade de mimetizar o ritual de produção e reprodução dos outros sob a motivação dos recursos financeiros que se pode ter em retorno a essas atividades ou, meramente, para se ter atenção ao trabalho realizado.

Aqui chamo “trabalho no metaverso” tudo aquilo que é produzido por meio de seus materiais fundamentais, as construções visuais, e tudo que dela vem em termos de propagação. Pelo parentesco com o uso da imagem no dia a dia, tais construções se fazem quase como em um marketing constante que as difundem ou, pela quantidade absurda de imagens, são recalcadas e presas aos inventários.

Tendo isso em vista, como uma publicação ampla em arte e cultura, é inevitável discutir também amplamente a tecnologia em suas interseções. Os artigos, matérias, críticas, dentre outros textos, serão muitas vezes concisos, sem perder a potência e o espírito de apresentar uma cartografia das possibilidades no ciberespaço em três dimensões.

A revista, assim, torna-se minimalista e com pretensões não muito ousadas na medida em que se faz enquanto um experimento por si só. Por isso, pretende provocar, mas sem perder de vista que a maior provocação e escândalo que pode haver a partir dela é a sua própria existência.

Para cumprir com o seu papel, a revista ativa três de suas seções: Artes e cultura; Artes Visuais; e Literatura. Na seção Artes e cultura, temos o texto “Arte Contemporânea I: a arte para todos”, de Gper Aeon; “Second Life®: uni-cultura, multi-cultura, meta-cultura?”, de Gwyneth Llewelyn; o texto de Fabiano Taurus, “O RPG e metaversos”; e o trabalho de Gabriela Pinelli, intitulado “Convergências: uma pesquisa sobre revistas inworld, outworld e blogs relacionados a metaversos”. Nessa primeira parte da revista já temos uma configuração do tom das discussões que propomos tanto coletivamente quanto individualmente, configurando uma voz já própria da revista.

Na seção chamada Artes Visuais, trazemos apenas um texto, mas com a colaboração de Juliah Zauber, Kon Magic e Anaiara Lauria. Gper Aeon procurou ativar uma experiência praticamente inexistente em metaversos, a exposição de olhares sobre trabalhos expostos em galerias. As três convidadas foram incitadas a descrever, comentar ou analisar obras a sua escolha. O resultado é a comparação possível a qualquer leitor a partir das vozes das três convidadas.

A terceira seção apresenta alguns trabalhos de Literatura. Rodrigo Siabonne mostra o seu poema “Um bom rapaz”, Gper Aeon apresenta “Catharsis”, e a Rediqueti Overland traz o conto “Noturno”.

Com essa formação a revista Convergências se apresenta ao público e aguarda comentários, críticas e contribuições em fluxo contínuo.

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Esse post foi publicado em Número 1 - julho 2010. Bookmark o link permanente.

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